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Suspensão

Amortecimento progressivo

Amortecimento progressivo é o que cresce no fim do curso ou com a velocidade da haste. Veja os dois sentidos e a diferença para mola progressiva.

O que é amortecimento progressivo?

Amortecimento progressivo é o amortecimento hidráulico que fica cada vez mais forte conforme a suspensão se aproxima do fim do curso ou conforme a haste se move mais rápido, para segurar os impactos grandes sem deixar a suspensão dura nos pequenos. O termo aparece nesses dois sentidos, e nos dois ele é diferente de mola progressiva, que trata da força da mola, e não da força hidráulica.

Progressivo em relação ao curso

Neste sentido, o amortecimento aumenta na parte final do curso. O objetivo é frear a suspensão antes do fim, evitando a pancada seca do fundo de curso em pousos de salto e buracos grandes, sem endurecer o começo do curso.

  • Trava de óleo da bengala (oil lock): em muitas bengalas, ou garfos, perto do fim da compressão, uma peça entra numa câmara estreita e o óleo passa com mais dificuldade.
  • Batente hidráulico no amortecedor: alguns amortecedores têm um estágio hidráulico que só atua nos últimos milímetros. Veja batente hidráulico.
  • PDS da KTM: o nome é a sigla de Progressive Damping System, sistema de amortecimento progressivo. É uma suspensão traseira sem link, com o amortecedor preso direto na balança; como não há link para criar a progressão, o amortecedor tem um estágio de amortecimento extra que entra no fim do curso.

Progressivo em relação à velocidade

No outro sentido, o termo descreve a curva de amortecimento, ou seja, como a força cresce conforme a haste se move mais rápido. Há três formatos básicos:

CurvaComo a força cresceEfeito típico
ProgressivaPouca em baixa velocidade e cada vez mais depressa em altaMoto mais solta nas transferências de peso e firme nos impactos rápidos
LinearNa mesma proporção da velocidadeMeio-termo entre as duas
DegressivaDepressa em baixa velocidade e cada vez menos em altaMoto firme nas transferências de peso e mais suave nos impactos secos

Um orifício fixo sozinho gera uma curva progressiva: quando a velocidade da haste dobra, a força cresce bem mais que o dobro. As lâminas (calços) das válvulas, que se abrem com a pressão, servem justamente para controlar esse crescimento. Na prática, as suspensões combinam os dois circuitos: a sangria regulada pelos cliques, que domina em baixa velocidade, e as lâminas, que se abrem nos impactos rápidos. Os cliques mudam principalmente o trecho de baixa velocidade; mudar a forma da curva como um todo exige mexer nas válvulas da suspensão, em oficina especializada.

Como perceber e ajustar

  • Bate no fim do curso, mas o começo está bom: falta progressão no fim. Antes de fechar toda a compressão, confira SAG, mola e, na bengala, o nível de óleo, que muda o colchão de ar e o fim do curso.
  • Seca em pedras e raízes, mas controlada nas frenagens: a força cresce demais em alta velocidade. Se houver regulador de alta, teste abrir; se não, a revisão das válvulas resolve melhor que os cliques.
  • Mole e balançando nas frenagens e curvas: falta amortecimento em baixa velocidade, e aqui os cliques costumam resolver.

Mexa em um regulador por vez, um ou dois cliques, e anote. Desmontar amortecedor com nitrogênio ou alterar válvulas é serviço de oficina, com manual e equipamento.

Perguntas frequentes

Amortecimento progressivo é o mesmo que mola progressiva?

Não. A mola progressiva muda a força elástica, que sustenta a moto. O amortecimento progressivo muda a força hidráulica, que controla a velocidade dos movimentos. Veja molas progressivas.

Suspensão com link tem amortecimento progressivo?

O link comprime o amortecedor cada vez mais por milímetro de roda perto do fim do curso, e isso aumenta na roda tanto o efeito da mola quanto o do hidráulico, como explica o verbete suspensão progressiva. Ainda assim, o termo amortecimento progressivo costuma se referir ao projeto hidráulico.

Dá para deixar a suspensão mais progressiva só com cliques?

Só em parte. Fechar a compressão aumenta a resistência em todo o curso. Para mudar só o fim do curso, o caminho é o nível de óleo da bengala, o batente ou as válvulas internas.