Diagnóstico de falhas no pistão
É descobrir, por sintomas, teste de compressão e inspeção, se o pistão do motor da moto está gasto ou danificado e o que causou a falha.
O que é diagnóstico de falhas no pistão?
Diagnóstico de falhas no pistão é o processo de descobrir, pelos sintomas, por testes como o de compressão e pela inspeção das peças, se o pistão do motor e seus anéis estão gastos ou danificados e o que causou o problema. O pistão sobe e desce no cilindro, recebe a força da combustão e a transmite ao virabrequim pela biela. Com os anéis, ele veda a câmara de combustão; quando essa vedação falha, o motor perde compressão e potência e, no 4T, passa a queimar óleo.
Achar a causa importa tanto quanto achar a peça gasta: sem corrigir o motivo, a quebra se repete, e um pistão que passou do limite pode quebrar e danificar o motor. Aqui o assunto é o pistão do motor; o pistão de amortecedor traseiro é outra peça.
Sinais de problema no pistão
- Perda de potência e partida difícil: com menos compressão, o motor fica mais fraco e demora a pegar, sobretudo na partida a pedal.
- Fumaça azulada e consumo de óleo no 4T: é óleo sendo queimado. Pode vir de anéis e pistão gastos, mas também de retentores e guias de válvula; sozinha, a fumaça não fecha o diagnóstico.
- Pressão no respiro do 4T: anéis gastos deixam gases da combustão passarem para o cárter (blow-by), o que empurra vapor e óleo pelo respiro do motor.
- Batida metálica com o motor frio: se ela diminui quando o motor esquenta, pode ser a saia do pistão batendo no cilindro por folga excessiva. Outras peças também batem, então o som é só uma pista.
- Travamento: o motor perde força de repente ou trava, em geral por superaquecimento ou falta de lubrificação, quando o pistão dilata e agarra no cilindro. Se acontecer com a moto andando, puxar a embreagem na hora evita que a roda traseira trave.
Como diagnosticar, passo a passo
- Anote o histórico: quando o sintoma aparece, desde quando e se houve superaquecimento, filtro de ar sujo ou mexida recente na carburação ou na injeção.
- Olhe a vela: vela molhada de óleo, com depósitos anormais ou com pontinhos metálicos brilhantes pode indicar problema na câmara de combustão.
- Faça o teste de compressão: com o motor na temperatura indicada, retire a vela, rosqueie o manômetro, abra todo o acelerador e dê partida até o ponteiro parar de subir, com ignição e injeção desativadas como o manual manda. Motores com descompressor automático, comuns nos 4T de trilha e motocross, marcam menos na partida; compare só com o valor e o método do manual. Veja nível de compressão do motor.
- No 4T, faça o teste de vazamento: com o pistão no ponto morto superior da compressão e o virabrequim travado, para o ar não girar o motor, injeta-se ar comprimido pelo furo da vela. Ar saindo pelo respiro ou pelo bocal de óleo indica anéis e pistão; pelo escape ou pela admissão, válvulas; bolhas no radiador, junta do cabeçote.
- Inspecione sem abrir: um boroscópio (câmera fina) pelo furo da vela mostra a coroa do pistão. No 2T, sem o escapamento, dá para ver parte do pistão e dos anéis pela janela de escape.
- Abra e meça: com o cilindro fora, meça pistão, cilindro e anéis com micrômetro, súbito e calibre de lâminas e compare com as folgas do manual.
O que o pistão mostra depois de aberto
| O que aparece | Causa mais comum |
|---|---|
| Riscos verticais na saia e no cilindro | Falta de lubrificação, superaquecimento ou folga pequena demais |
| Saia e anéis foscos e gastos por igual, como se lixados | Poeira entrando por filtro de ar sujo, mal lubrificado ou mal assentado |
| Coroa com furo ou derretida | Pré-ignição e superaquecimento, muitas vezes por mistura pobre, vela mais quente que a indicada ou ponto adiantado |
| Borda da coroa com erosão e pequenas crateras | Detonação: combustível de octanagem abaixo da indicada, ponto adiantado, mistura pobre ou carvão acumulado |
| Marcas de válvula na coroa (4T) | Válvula tocando o pistão: corrente de comando pulada, sincronismo errado ou excesso de giro |
| Anéis presos na canaleta | Carvão acumulado por óleo inadequado, superaquecimento ou uso além do intervalo |
| Saia trincada ou quebrada | Folga excessiva ou uso além do intervalo de troca |
Como prevenir
- Filtro de ar limpo, lubrificado quando é de espuma, e bem assentado na caixa. Na moto de trilha, a poeira é uma das causas mais comuns de desgaste do pistão.
- Óleo do tipo e na quantidade do manual; no 2T de mistura, a proporção indicada pelo fabricante.
- Arrefecimento em dia: líquido no nível e radiador sem lama entre as aletas.
- Mistura correta, sem entrada falsa de ar, e combustível com a octanagem indicada.
- Nas motos de competição, troca do pistão no intervalo em horas de uso que o manual define, com amaciamento depois da troca.
Perguntas frequentes
Fumaça no escapamento do 2T quer dizer pistão ruim?
Não necessariamente. O 2T queima o óleo que vai na mistura e sempre solta alguma fumaça. Nele, pistão e anéis gastos aparecem mais como perda de compressão e de potência e partida difícil.
Dá para trocar só os anéis?
Só depois de medir. Se pistão e cilindro estão dentro das folgas do manual, pode ser possível. Fora delas, troca-se o pistão e, conforme o tipo de cilindro, ele é retificado, recuperado ou substituído.